AbsolutMining.com Mineração de Bitcoin na Nuvem

Crédito, débito ou bitcoin?

São Paulo - O empresário Rodrigo Souza, de 34 anos, mudou-se para os Estados Unidos em 2008 e colocou seu apartamento em Santos à venda no ano passado. Nada de excepcional, não fosse a única forma de pagamento aceita: bitcoin.
Como mora em outro país, essa é, segundo ele, a melhor maneira de receber o dinheiro sem pagar as altíssimas taxas de remessa ao exterior — que podem chegar a 10% do valor de venda — ou do imposto sobre operações financeiras (IOF), que no fim do ano passado chegou a 6,38%.
Essa transação não é novidade para Rodrigo. Sócio de uma empresa de vídeos publicitários de animação, a MindBug Studios, Rodrigo tem colaboradores espalhados por quatro países. Seus empregados no Brasil e na Argentina recebem o salário em bitcoins.
“Tentei pagá-los via PayPal (serviço online de pagamentos), mas as taxas sequestravam boa parte do dinheiro. Com o bitcoin, eles recebem o salário integral e descontam os impostos nos países onde moram”, diz. Rodrigo também aceita, e até prefere, essa moeda como forma de pagamento pelos serviços prestados por sua empresa. “O dinheiro chega mais rapidamente e eu me livro das taxas”, afirma.
O empresário usa bitcoins principalmente como forma de transferir dinheiro e mantém cerca de 20% do patrimônio na moeda virtual. “Como o valor é muito volátil, prefiro transferir o resto para dólar, por garantia”, explica.
O bitcoin é uma moeda que circula apenas online, sem a regulação de um banco central e com transações encriptadas, ou seja, transmitidas em códigos, para dar segurança ao usuário e manter anônimas suas informações. Cada unidade valia, no início de abril, 446 dólares.
No dia 19 de novembro a moeda havia chegado a 545 dólares. Dez dias depois, estava cotada em 1 023 dólares. Essa instabilidade é um dos principais argumentos dos economistas que afirmam que o “bit­coin é algo mais parecido com loteria do que com moe­da”. A frase é do professor de finanças da FGV Samy Dana.
“Uma moeda precisa armazenar e conservar valor, mas o bitcoin oscila mais de 20% em um único dia”, diz Samy. Outra questão é a falta de uma autoridade monetária. “Não existe uma agência central reguladora. Isso deixa o bitcoin praticamente à margem da lei”, diz o professor de finanças do Ibmec do Rio de Janeiro Nelson de Souza.
Entretanto, há quem defenda que o bitcoin seja a moeda do futuro. No fim do ano passado, Ben Bernanke, então presidente do Federal Reserve, o banco central americano, enviou uma declaração ao Comitê de Segurança Nacional do Senado reconhecendo que o bitcoin “pode ser uma promessa, particularmente se as inovações que ele traz forem capazes de promover um sistema de pagamento mais rápido, seguro e eficiente”.
O Departamento de Justiça americano também emitiu um co­municado oficial informando que as operações com bitcoin são um meio legal de troca. “O Departamento de Justiça reconhece que muitos sistemas monetários virtuais oferecem serviços financeiros legítimos e possuem potencial para promover um comércio global mais eficiente.”
No Brasil, só 52 estabelecimentos estão no coinmap, o mapa que mostra quem aceita bitcoins. Parece pouco, mas esse número dobrou desde o fim do ano passado. O engenheiro da computação de Belo Horizonte Eduardo Camponez, de 33 anos, deve aumentar essa lista.
Ele convenceu uma escola de inglês online a aceitar bitcoins. Eduardo começou a estudar o bitcoin no fim do ano passado e já usou a moeda virtual para comprar em sites como Amazon. Para ele, a principal vantagem dela é ficar livre de intervenções de governos e bancos.
Esse aspecto, no entanto, preocupa autoridades do mundo todo. Um bom exemplo disso foi o que aconteceu em 2010, quando o governo americano tentou fechar o WikiLeaks, site que vazou documentos confidenciais da Casa Branca sobre a guerra no Afeganistão.
Como punição, o governo americano proibiu que bancos e operadoras de cartões de crédito transferissem dinheiro ao site, que vive de doações. Foi então que o WikiLeaks começou a receber doações em bitcoins, que não podem ser bloqueadas nem rastreadas pelas autoridades.
Na rede, é possível visualizar quanto e quando o dinheiro foi transferido, mas as contas que o enviaram e o receberam permanecem anônimas. Com base nessa premissa, Charlie Shrem, criador da BitInstant, empresa de negociação da moeda virtual, foi preso em janeiro, acusado de um esquema de venda de bitcoins para usuários do Silk Road, mercado negro online que vende drogas e armas ilegalmente.
A origem do bitcoin é incerta. Acredita-se que ele tenha sido criado em 2008 por Satoshi Nakamoto, programador japonês de 64 anos radicado nos Estados Unidos. No mês passado, a revista americana Newsweek tentou confirmar a informação, que foi negada por Satoshi.
Mais misteriosa ainda foi a forma como, em fevereiro, a Mt. Gox, maior bolsa para troca de bitcoins no Japão, anunciou que 300 milhões de dólares na moeda virtual foram roubados por hackers. “Fraudes acontecem com qualquer moeda”, diz Eduardo Camponez.
O bitcoin é considerado por seus defensores uma resposta à alta carga tributária e ao excesso de regulação do sistema monetário. “Ela representa uma revolução sem precedentes no sistema bancário mundial”, diz o economista Fernando Ulrich, autor do livro Bitcoin — a Moeda na Era Digital. Já há centenas de criptomoedas criadas a partir do código-fonte do bitcoin.
A ripple, uma delas, já recebeu aportes milionários de investidores como o Google Ventures. Na dúvida, talvez seja bom se acostumar com a ideia de ter uma carteira digital. Ela pode se tornar uma realidade na sua vida num futuro bem próximo.
Entenda como são feitas as transações com essa moeda virtual
O que é: Uma moeda que só circula online, com transações feitas em códigos para proteger a identidade de seus usuários
Bitcoin: As transferências, mesmo que internacionais, são feitas diretamente entre os usuários, sem taxas.
Moeda convencional: Operações com cartões de crédito e débito ou transferências de dinheiro passam pelos bancos.
Como encher a carteira
Vendendo
• Vendendo produtos, em lojas e sites, e aceitando bitcoins em troca.
Comprando
• Comprando a moeda de outras pessoas em sites como LocalBitcoins.com ou em casas de câmbio especializadas.
Minerando
• Resolvendo problemas matemáticos gerados pelo software do bitcoin, usado para autenticar as transações com a moeda na internet. Quem soluciona primeiro os problemas é recompensado com um pagamento em bitcoins pelo serviço prestado aos demais usuários.
Essas pessoas são chamadas de mineradoras, porque “garimpam” seus bitcoins em vez de comprá-los.
Saiba como uma compradora nos Estados Unidos faria para adquirir com bitcoins um par de sapatos de uma loja na Itália e como a operação é validada pelos membros da rede
1 O primeiro passo é criar uma carteira virtual em sites como Coinbase e Multibit. Cada conta dá acesso a uma série de endereços, cada um formado por uma sequência de letras e números.
2 Quando visita um site de compras e decide adquirir um produto em bitcoins, a compradora recebe do vendedor um endereço.
3 O passo seguinte será entrar em sua própria carteira virtual e usar sua assinatura digital — uma espécie de senha — para autorizar a transferência para o endereço gerado pelo vendedor.
4 Cada transação gera um problema matemático, que precisa ser solucionado pelos mineradores para que a operação seja finalizada. Os mineradores emprestam a capacidade analítica de seus computadores para a rede e, como forma de bonificação, recebem 25 bitcoins por operação completada.
5 Para cada transação, é gerada uma chave pública — uma senha que permite a qualquer membro da rede verificar se a operação é válida, embora ninguém possa identificar os envolvidos nela.
Confira abaixo as vantagens e as desvantagens envolvidas no uso do bitcoin
Vantagens
• É possível enviar dinheiro para qualquer lugar do mundo sem pagar as altas taxas de transferência cobradas pelos bancos.
• Qualquer membro da rede pode ver quais transações foram feitas, o que reduz a possibilidade de fraudes. O valor e o horário das operações são registrados, mas os usuários permanecem anônimos — a menos que alterem seu nível de privacidade.
• No Brasil, só 52 estabelecimentos admitem bitcoins como forma de pagamento. Parece pouco, mas esse número já é o dobro do que existia até o fim do ano passado.
• É possível trocar reais por dólares ou qualquer moeda estrangeira sem incidência do imposto sobre operações financeiras (IOF), que chegou a 6,38% em 2013. Basta comprar bitcoins com moeda nacional e vendê-los na moeda desejada.
Riscos
• Não há a quem recorrer em caso de fraude ou quebra de uma casa de câmbio de bitcoins.
• Como não é uma moeda regulamentada, o valor do bitcoin pode oscilar mais de 100% em um dia. Sua alta volatilidade faz com que ele não seja indicado como investimento.
• Assim como qualquer coisa que só existe o mundo virtual, carteiras e contas podem ser invadidas por hackers.
• Ainda são poucos os estabelecimentos ou prestadores de serviços que aceitam essa moeda
Fonte EXAME
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**A moeda vitual Bitcoin quebra a marca dos mil dólares**

O valor de um único bitcoin ultrapassou US$ 1.000 (£ 613), pela primeira vez, de acordo com MtGox, um dos principais mercados da moeda virtual.
Valor do Bitcoin tem aumentado rapidamente desde uma audiência do comitê do Senado dos EUA, no início deste mês.
A confiança cresceu após a comissão ter descrito as moedas virtuais como um "serviço financeiro legítimo".
O Bitcoin se tornou popular em parte devido ao fato de ser difícil de rastrear transações.
A moeda está muitas vezes ligada à atividade ilegal online.
Os clientes que utilizam a Rota da Seda - um site de venda de drogas ilegais que foi fechado no mês passado – teriam pago por bens usando Bitcoin.
Muitos tiveram medo de que a repressão faria com que o valor despencasse, mas a crescente confiança de que as autoridades reguladoras não buscariam proibir a moeda iminentemente permitiu ver seu preço subir.
Os entusiastas dizem que é uma forma altamente eficiente de lidar com transferências monetárias globais.
"Tem sido incrível assistir o Bitcoin ir de zero a U$ 1.000 em apenas cinco anos", disse Mike Hearn, um desenvolvedor Bitcoin.
"É fácil esquecer que o verdadeiro valor do Bitcoin não está em uma taxa de câmbio arbitrária, mas em sua capacidade de permitir novas aplicações e serviços que não são possíveis com redes de pagamento de hoje."
Audiência no Senado
A audiência do Senado dos EUA no início deste mês foi motivada pelo fim da Rota da Seda.
Representantes do Departamento de Justiça e da Comissão Bancária de Títulos e Câmbios foram convidados a apresentar as suas opiniões sobre as moedas virtuais para o comitê, e vem sido recebidas cartas de reconhecimento do FBI e do Banco Central dos EUA.
"Moedas virtuais, talvez mais notavelmente o Bitcoin, tem capturado a imaginação de alguns, colocado medo em outros, e confundiu o resto de nós pra danar", disse o presidente do comitê, senador Thomas Carper, no discurso de abertura.
O FBI, em uma carta ao comitê, disse reconhecer que as moedas virtuais têm oferecido "serviços financeiros legítimos", mas que poderiam ser "exploradas por usuários mal-intencionados".
Mythili Raman, o chefe da Divisão Criminal do Departamento de Justiça, disse à comissão: "Temos visto aumento do uso de tais moedas por traficantes de drogas, traficantes de pornografia infantil, e autores de esquemas de fraude em grande escala".
Mas o Bitcoin, lentamente, começa a ser usado para outros fins mais legítimos.
Em outubro foi aberto o primeiro caixa eletrônico Bitcoin em Vancouver, Canadá - a máquina permite aos usuários trocar bitcoins por dinheiro e vice-versa.
Embora um bitcoin inteiro possa valer mil dólares, é possível pagar por bens usando frações de bitcoins.
Por exemplo, o site pizzaforcoins.com oferece duas pizzas por 0,02160 bitcoins.
Flutuações Selvagens
O valor do Bitcoin tem flutuado ao longo do último ano. Em janeiro, ele foi negociado a cerca de U$ 20.
Em abril, uma venda em massa provocou a queda do valor de um bitcoin de 260 dólares para 130 dólares em apenas algumas horas. O mercado MtGox disse que havia feito um grande esforço para lidar com um entrada repentina e "bastante surpreendente" de novos usuários.
A moeda virtual também foi rapidamente adotado na China, onde um mercado - o BTC China - é dito ser o mais ativo no mundo.
Uso de Bitcoin na China tem sido atribuído ao fato de ser uma forma eficaz de conseguir dinheiro de forma confiável fora do país.
Vários mercados de Bitcoin foram criados em todo o mundo, com o MtGox sendo o mais proeminente.
Normalmente, cada mercado vai mostrar um valor diferente - isto é devido à dificuldade em trocar bitcoins por moeda real, um processo que pode exigir a transferência de fundos através de vários bancos em diferentes países. Cada banco provavelmente iria cobrar uma taxa para essas transações.
A volatilidade do Bitcoin tem feito com que alguns não se refiram a ele como uma "moeda" de verdade, mas, em vez disso o vêem como um estoque ou mercadoria.
Como o Bitcoin Funciona
Bitcoin é muitas vezes referido como um novo tipo de moeda.
Mas pode ser melhor pensar em suas unidades como sendo fichas virtuais em vez de moedas ou notas físicas. No entanto, como toda moeda, seu valor é determinado pela quantidade de pessoas que estão dispostas a trocá-la.
Para processar transações de Bitcoin, um procedimento chamado de "mineração" deve ocorrer, o que envolve um computador resolvendo um problema matemático difícil com uma solução de 64 dígitos.
Para cada problema resolvido, um bloco de bitcoins é processado. Além disso, o minerador é recompensado com novos bitcoins .
Isto fornece um incentivo para as pessoas fornecerem poder de processamento de seus computadores para resolver os problemas.
Para compensar o crescente poder de processamento dos computadores, a dificuldade dos quebra-cabeças é ajustada para garantir um fluxo constante de cerca de 3.600 novos bitcoins por dia.
Existem atualmente cerca de 11 milhões de bitcoins.
Para receber um bitcoin um usuário deve ter um endereço Bitcoin - uma série de 27-34 letras e números - que atua como uma espécie de caixa de correio virtual para o qual os bitcoins são enviados.
Como não há registro desses endereços, as pessoas podem usá-los para proteger seu anonimato ao fazer uma transação.
Esses endereços são por sua vez armazenados em carteiras Bitcoin que são usados para gerenciar as reservas de bitcoins.
Eles funcionam como contas bancárias de gestão privada - com a ressalva de que, se os dados são perdidos, os bitcoins também o são.
Análise de Rory Cellan-Jones, correspondente de tecnologia
Tem sido um ano extraordinário para a moeda, o que atrai discípulos e odiadores em quantidades semelhantes.
Em janeiro, quando apenas uma banda dedicada de libertários e uber -geeks sabia mais sobre ele, um bitcoin valia menos de US $ 20 - mas quando as pessoas começaram a escrever sobre suas vantagens , o valor aumentou.
Então, em outubro, quando o FBI fechou a Rota da Seda - o mercado de drogas on-line onde Bitcoin foi o principal meio de troca -, e ele caiu em mais de 20% em poucas horas.
Mas na semana passada foi dado o selo de respeitabilidade quando uma audiência do Senado dos EUA ouviu depoimentos brilhantes sobre o seu potencial, com funcionários da administração do presidente Barack Obama, comparando os seus méritos com os da internet.
Existe agora um crescente conhecimento e interesse no Bitcoin entre os funcionários responsáveis pela aplicação da lei, entidades reguladoras e economistas. E, embora ainda haja muito ceticismo sobre a sua segurança, a ideia de uma moeda virtual para a internet criou raízes.
Mas os investidores devem ficar atentos - qualquer um que entrar na onda pode ter garantido um crescimento instável.
Original em: http://www.bbc.co.uk/news/technology-25120731
Traduzido por Sarah Alexandre
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Como Bitcoin Funciona

Pessoal, eu DanielBTC o alex2501 e o DarkHyudrA traduzimos um texto bem simples para iniciantes e fizemos algumas adaptações e facilitamos mais ainda algumas coisas também, esperamos que seja proveitoso para todos:
Como o Bitcoin Funciona
Esse texto foi escrito pois eu acredito que uma base de usuários bem informados é a chave do sucesso para o Bitcoin.
Um resumo da estória:
O usuário João cria uma transação declarando: "Eu dou a Maria 10 BTC". (mas em protocolo Bitcoin). Essa transação é assinada digitalmente com a chave privada que cada endereço possui e não pode ser forjado Os mineradores garantem que a transação é válida, gravam isso e distribuem por toda a rede. Maria verifica o seu saldo. João não pode enganar o sistema por que todo mundo na rede pode checar sua autenticidade e imediatamente recusar a transação falsa com gastos duplicados(double spending) ou fundos que não existiam antes.
Você pode começar a usar o Bitcoin em questão de segundos, embora esse seja um processo simples, é extremamente recomendado que você aprenda sobre como ele funciona e o que acontece com suas moedas quando você inicia uma transação qualquer. Com o Bitcoin é você que controla o seu dinheiro, e você precisa tomar conta dele responsavelmente.
O texto a seguir é um simples guia que introduzirá você à natureza da rede Bitcoin e explicará de forma clara o que acontece durante uma simples transação
A estória de João e Maria
Era uma vez um usuário chamado João que gostaria de enviar à sua amiga Maria alguns Bitcoins. Ele sabia que Maria precisava de 10BTC e então decidiu enviá-los para ela. João conseguiu uma carteira Bitcoin com alguns bitcoins de saldo e antes de clicar em Enviar se perguntou, onde os seus bitcoin estão armazenados. "O bitcoin é um arquivo no meu computador? Ou um número de serial talvez?" João rapidamente notou que isso poderia ser muito ineficiente. O que aconteceria se alguem estivesse espiando sua conexão e interceptasse esses arquivos? E o que aconteceria se a conexão caísse?
O jeito que o Bitcoin Funciona é Simples e elegante
Quando João envia para Maria 10 Bitcoins, o que realmente está acontecendo é uma assinatura digital de um declaração de pagamento. Na linguagem humana isso se parece com isso: “Eu, João, envio a quantia de 10BTC para Maria” Com certeza, João está também, preocupado que alguem pode forjar essa declaração em seu nome. Ele também sabe que Bitcoins são impossíveis de forjar. Então, como exatamente eles são protegidos? Essas declarações são protegidas por um mecanismo chamado “Assinatura Digital”. É uma implementação de cálculos matemáticos e criptografia fortissima, que garante que somente o dono pode produzir uma assinatura válida. Senão, a assinatura poderia ser invalidada e a transação rejeitada por qualquer um.
Assinaturas digitais
Você provavelmente já sabe que para receber e enviar bitcoin você precisa de um endereço Bitcoin. Da mesma forma que o e-mail. E como em um e-mail, você precisa de uma senha para conseguir enviar e receber bitcoins. Endereços Bitcoin são gerados usando matemática e eles podem ser gerados de uma forma decentralizada. Você não precisa de logar-se em lugar algum serviço nem precisa ficar online. Você simplesmente precisa de um programa para gerar esses endereços. Um endereço bitcoin, como uma conta de e-mail, é feita de duas coisas diferentes:
A parte publica - Permite a qualquer um te enviar bitcoins.
A chave privada - Isso é o que a maioria dos usuarios não sabe, cada endereço tem sua única Chave Privada (private key). A maioria dos programas de Bitcoin não lhe dizem sobre isso e eles mantém escondido do usuário, basicamente porque é muito importante que APENAS você tenha acesso a esta chave e mostrar por aí não é uma boa ideia.
Essa chave é usada para assinar digitalmente e garantir que apenas o dono da chave pode emitir uma transação válida e assim gastar os bitcoins.
De volta a Maria e João
Assim que a carteira bitcoin do João assinou essa transação, ele envia através da rede P2P(ponto a ponto) do Bitcoin. Todas as pessoas que usam o Bitcoin e estão rodando um cliente do Bitcoin, estão conectados uns aos outros para receber estas “declarações”. A transação de João é transmitida de nó a nó. Esses nós verificam que a assinatura é válida e passam até que, numa fração de segundo, maria recebe a notificação pelo seu programa Bitcoin que ela recebeu os bitcoins vindos de João! “Legal!” a Maria pensa. Mas ao mesmo tempo ela está preocupada com outra coisa. A Maria sabe como a rede do Bitcoin funciona e mede se é possível o João suprir esta quantia. Ela sabe que João que lhe enviou o dinheiro por que a sua assinatura bate. Mas o que impediria João de escrever qualquer valor que ele quisesse? E se João dissesse, “Eu tenho um cazilhão de Bitcoins e estou enviando para Maria?”. Enquanto Maria continuava pensando sobre isso ela não sabia que a transação que lhe fora enviada ainda estava perambulando pela rede e tinha um desafio muito grande para enfrentar...
Conhecendo o minerador Thiago
Enquanto a transação continua indo de conexão (nodes) em conexão (nodes) na rede do Bitcoin, ela também irá chegar a essa pessoa que está em um jogo único: um estilo de jogo de corrida contra o tempo. Thiago e muitos outros que participam deste mesmo “jogo” são chamados de mineradores. O objetivo de Thiago é reunir todas as transações e publicar elas em um tipo de livro de registros. No fim de garantir a natureza aberta e descentralizada do Bitcoin, isso deve ser feito de uma forma bem específica.
O minerador Thiago e outros mineradores estão rodando um programa no seus computadores que ajudam a resolver problemas matemáticos. Imagine um grande e complexo cubo mágico que demoraria muito tempo para ser resolvido. Thiago sabe que apenas o minerador que encontrar a solução para o cubo mágico é autorizado a publicar o próximo bloco deste livro de registros que contém todas as transações reunidas.
Todos os mineradores estão competindo entre si porque eles querem ser o primeiro a resolver o problema, publicar as transações e receber Bitcoins como recompensa. (Mais do que um jogo, isso é um trabalho).
Para que João possa ter 10 BTC em primeiro lugar, ele precisa ter obtido previamente de alguém. Thiago verifica a parte do livro de registros que já foi publicada previamente por outros mineradores e certifica de que a transação está ali, registrada em algum lugar. Isso diz que João tinha 10 BTC em primeiro lugar e então foi autorizado a gastar. Então ele apenas espera que, com um pouco de sorte, o seu programa foi o primeiro a achar a solução. Adivinhe só? Hoje é o dia de sorte de Thiago! Ele acha a solução e imediatamente publica todas as transações que ele coletou. O resto da rede verifica que a solução é correta e assistem perplexos enquanto Thiago recebe a recompensa. Mas não há tempo a perder porque novas transações nunca param de chegar e novos blocos deste livro de registros sempre estão a espera de serem publicados.
O BlockChain
O famoso blockchain, ou, cadeia de blocos. É chamado de cadeia, por que todos os blocos dependem do anterior. Eles são protegidos por uma função criptográfica chamada de hash. E se alguem decidir alterar maliciosamente um bloco anterior e adicionar ele mesmo dezenas de bitcoins? Felizmente isso é impossível. Se alguem alterar um único digito, caracter ou bit de uma cadeia de blocos, todos os blocos seguintes serão eliminados e invalidados.
Note também que nem mesmo o minerador Thiago pode alterar maliciosamente a transação de João por que a assinatura digital não vai bater se for adulterada. A abertura, transparência e natureza decentralizada do Bitcoin, juntas com o uso mecanismos de proteção, criam uma sólida, forte e confiável rede Bitcoin que ninguém pode enganar;
De volta para Maria
Assim que o minerador Thiago publicar o próximo bloco na blockchain, esse será redistribuído em toda a rede até chegar à Maria. Uma vez que Maria pegou essa transação, sua carteira bitcoin verificará se ela contém alguma transação em que Maria está envolvida, e como esse é o caso, informará Maria que sua transação foi confirmada e agora é uma parte permanente da rede Bitcoin (para todo o sempre). As transações que são incluídas na blockchain recebem uma confirmação. Note que Maria não precisa estar online para receber seus Bitcoins. Ela pode estar offline por horas, dias, anos e ainda sim, receber bitcoin sem problemas. Assim que ela ficar online, seu programa vai baixar os últimos blocos na blockchain e informá-la que recebeu transações de entrada. Atualmente, a única coisa que Maria não precisa saber é sua chave privada. Ela pode ainda manter essa chave privada impressa em um pedaço de papel (paper wallet) e receber bitcoin ao mesmo tempo.
Uma vez que ela queira vendê-las ela vai importar essas chaves privadas para o programa de carteira Bitcoin e o programa lerá o blockchain para informá-la sobre o seu balanço. Com essa chave privada ela poderá assinar digitalmente uma transação onde ela queira gastar seus bitcoins.
Dê uma olhada em http://www.bitaddress.org . Esse é um gerador de endereços bitcoin que permite você criar e ver sua chave privada.
Sobre a segurança do Bitcoin
Como vocês podem ver, Bitcoin é extremamente seguro e absolutamente ninguém que não saiba sua chave privada para o endereço bitcoin (chave publica) vai conseguir gastar seus bitcoins sem autorização.
Você é o dono dos seus bitcoin, é de sua inteira responsabilidade manter suas chaves privadas para suas moedas a salvo. Muitos software de carteira bitcoin como o bitcoin-qt, vão criptografar suas chaves usando uma senha que você definir. (não esqueça essa senha!). Isto é extremamente recomendado. Também esteja certo que seu computador esta livre de keyloggers, trojas e qualquer tipo de vírus ou malware. Se você guarda grandes quantidade de moedas, você pode considerar usar uma carteira em papel (paper wallet), e nenhum vírus no mundo vai conseguir atacar essa sua carteira.
De onde vem a recompensa de Minerador Thiago?
Ele consegue taxas que as pessoas pagam voluntariamente incluídas em cada transação bitcoin. Por isso ele quer coletar e publicar o máximo de transações possíveis e ganhar e ganhar essas taxas incluídas nelas. Também por que cada vez que ele publica um bloco ele vai conseguir assinar o seu nome nesse novo bloco e ganhar 25 bitcoins novinhos em folha. Isso é como novos bitcoins entram em circulação e são injetados na economia de forma descentralizada. Essa recompensa diminui gradativamente até que os 21 milhões de bitcoins sejam colocados em circulação, que é o máximo de bitcoins que serão disponibilizados.
21 milhões de bitcoins são o bastante? Sim! Por que eles são divisíveis por oito casas decimais. Esse montante de divisibilidade garante que nunca faltarão bitcoins na economia.
Por que demora tanto para sincronizar minha carteira Bitcoin?
A primeira vez que voce roda a carteira bitcoin, ela ira necessariamente efetuar o download de toda a BlockChain afim de mantê-lo atualizado de todos os balanços de seus endereços. Se você não gostou disso, tudo bem, você pode optar por um cliente mais light. Existem várias carteiras Bitcoin que se conectar ao servidor para ler a blockchain e não precisa de baixar nada.
Traduzido por:
Se você gostou, mande uma doação pra gente. ;-)
Qualquer dúvida, correção ou sugestão será muito bem vinda!
Original: http://www.reddit.com/Bitcoin/comments/18kt6y/psa_to_new_users_due_to_reddit_gold_announcement/
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VICE.COM: Ascensão e Queda da Primeira Máquina de Bitcoin do Brasil

Escrito por FELIPE MAIA VICE
Em abril de 2014, o bar Zé Gordo, localizado no bairro nobre de Itaim, em São Paulo, estreou a primeira máquina de bitcoin do Brasil em parceria com a Mercado Bitcoin, uma empresa especializada em finanças com moedas virtuais.
À época, a compra foi considerada bem moderna: pouco se falava de transações desse tipo no país e um dispositivo físico de bitcoins dentro de um boteco chique era, convenhamos, simbólico demais para ignorar.
Meses depois do anúncio e das repercussões em redes sociais, porém, nunca mais ouvimos falar da maquininha. Sem mais nem menos, o equipamento tinha desaparecido das notícias e, segundo alguns clientes, também do bar.
Em busca de explicações, fui conversar esta semana com Erivelton Rodrigues, sócio-proprietário do Zé Gordo, e ele me contou que teve de devolver a máquina aos proprietários por uma simples razão: medo de assalto. Durante os seis meses que ficou disponível para o público, a peça, do tamanho de um frigobar, foi cobiçada por mais de um transeunte de comportamento estranho. “A máquina não era interessante pra gente porque não era seguro ela aqui”, afirmou, durante uma visita minha ao seu estabelecimento.
Erivelton contou que um tipo suspeito a seus olhos esteve três vezes no bar em função da máquina. No primeiro dia, um sábado de agosto, ele usou o aparelho depois de fazer muitas perguntas. Na segunda-feira, voltou ao bar para nova sessão de questões enquanto procurava câmeras. Na terça-feira, o tipo voltou em um carro com mais uma pessoa. Erivelton tinha devolvido o aparelho. “Já não tinha mais máquina”, afirma.
O equipamento vendia bitcoins. Como um caixa eletrônico que realiza depósitos, ele aceitava cédulas de reais e as trocava pela moeda virtual. O valor adquirido ia diretamente para a conta virtual do comprador, enquanto seu dinheiro ficava armazenado na caixa forte blindada da máquina. Segundo Erivelton, ela seria presa fácil para ladrões por ter meio metro e cerca de cinquenta quilos.
Localizado entre bairros com o maior PIB de São Paulo segundo o censo de 2010 do IBGE e cercado por grandes empresas e bancos de investimentos, o bar Zé Gordo oferece uma posição privilegiada para uma máquina de transações financeiras. Erivelton diz ter visto compras de até dois mil reais no aparelho. “Vinham uns espanhois”, diz ele. “Tinha pouco brasileiro que procurava.”
De acordo com Rodrigo Batista, um dos fundadores do Mercado Bitcoin, a empresa retirava o dinheiro da máquina ao menos uma vez por semana. “O valor das transações costumava ser entre cinquenta e cem reais”, diz. Com o fim da parceria, o Zé Gordo abandonou também as transações com bitcoins no caixa.
O acordo entre a empresa e o bar terminou sem prejuízo para nenhum dos lados. Os funcionários do Mercado Bitcoin ainda aparecem no Zé Gordo para almoçar ou tomar uma cerveja. Rodrigo estuda levar a máquina para outro lugar, mas não sabe o destino do aparelho que custou R$ 10 mil a sua companhia. “Era mais uma peça de marketing”, diz. “É um equipamento físico para algo que não é físico.”
Bitquê?
O Bitcoin é uma moeda virtual com valor real. Os bitcoins correspondem a cálculos executados por computadores potentes — os mineradores. Há um limite para a quantidade de cálculos possíveis, isto é, para os bitcoins em circulação. E eles podem ser transferidos de um ponto a outro da internet de maneira verificada pela própria rede de mineiradores e usuários. Assim rolam compras e vendas com bitcoins sem intermédio de bancos ou operadoras.
Quem não tem um supercomputador minerador pode comprar bitcoins. A operação é similar ao trabalho feito por uma casa de câmbio: uma troca de moedas diferentes. Essa era a função realizada pela máquina do Zé Gordo. “Você coloca reais e saca bitcoins”, diz Rodrigo. Atualmente é possível adquirir uma unidade da moeda virtual a cerca de oitocentos reais em serviços online. O próprio Mercado Bitcoin oferece essa opção no seu site.
Quem quiser usar uma máquina de bitcoin pode se dirigir à Coinverse, na Vila Madalena. O equipamento da empresa mais parece um caixa eletrônico. Além de realizar saques de moeda virtual, ele também pode ser usado para saques de dinheiro comum. Nesse caso, basta ter uma carteira virtual com saldo disponível. “O nosso aparelho funciona nas duas vias”, explica Safiri Félix, um dos fundadores da startup. “Tem semanas que ela vende dez mil reais.”
Segundo ele, a máquina é vigiada constantemente por câmeras e um seguro garante o ressarcimento a Coinverse em caso de roubo — ela custa cerca de R$ 70 mil. Levá-la indevidamente é complicado também por causa dos seus trezentos quilos. “A gente não tem essa preocupação porque estamos num espaço que está cheio de gente”, diz Safiri.
Ele e Rodrigo são pioneiros em um terreno ainda nebuloso para quem vê de fora. O lucro de suas companhias vem de taxas sobre as transações, algo que lembra os maus e velhos bancos. No Zé Gordo, o espaço que antes era destinado à máquina de bitcoins agora dá lugar a uma geladeira de cervejas especiais com luzes brancas e acabamento refinado em vermelho.
FONTE VICE
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O QUE VEM DEPOIS DO BITCOIN?

O bitcoin parece estar em toda parte. Programas de TV aberta, revistas de economia, amigos no Facebook e até outdoors em avenidas “falam” dele (nesse último caso, numa campanha de entusiastas, em São Francisco, nos Estados Unidos). A cotação da moeda virtual decolou de menos de US$ 1, em 2009, para quase US$ 1 mil, nas últimas semanas. O BTC – esse é o código comercial – já serve para comprar quase tudo, de sanduíches orgânicos a viagens ao espaço. Seja ele o dinheiro do futuro ou uma nova bolha especulativa, uma coisa parece certa: a porta que foi aberta, pela qual o mundo enxergou uma forma mais flexível de fazer transações online, não se fechará mais. Um batalhão de novas moedas digitais e tecnologias promissoras já aproveita o embalo para avançar rumo a essa prometida nova ordem monetária.
O bitcoin mostrou que é possível existir uma moeda descentralizada, não regulada por governos ou bancos centrais. O mérito de seu criador, uma figura desconhecida que usava o pseudônimo de Satoshi Nakamoto, foi formular um elegante preceito matemático que garante a segurança do sistema. Funciona assim: cada transação é validada por um grande número de computadores de usuários (os mineradores) pelo mundo, de forma que ninguém tenha capacidade de processamento maior que essa rede (para evitar operações fraudulentas). Como recompensa, esses usuários recebem novos bitcoins, que serão criados até o limite de 21 milhões de unidades, por volta do ano de 2140. Além disso, todas as transações ficam registradas numa espécie de lista pública.
Entusiastas afirmam que a grande contribuição do BTC foi cultural. Ele uniu uma vasta rede de pessoas interconectadas por uma causa que agora parece ser o futuro inevitável: usar a internet para enviar dinheiro, com menos taxas e burocracia. Se olharmos em perspectiva, ainda que exista essa profusão de seguidores, o bitcoin é coisa de nicho. Para se tornar um novo dólar ou euro, há alguns empecilhos. Primeiro, é difícil de usar. Mandar e receber moedas significa ter de lidar com conceitos como blockchain e public ledger, além de chaves necessárias para cada transação, coisas como 17EC4TXZRzr4UbmrkMc7gUEuCtn73xhTeN.
Também existem questões como a alta volatilidade, a suspeita de que milhares de chineses andam especulando com a moeda e, principalmente, os problemas de uso criminoso do dinheiro virtual. O caso mais notório envolveu o Silk Road, um supermercado online de drogas e armas fechado em 2013, no qual o BTC – por permitir anonimato – era a moeda corrente.
Por todos esses problemas, o bitcoin pode vir a confirmar uma conhecida tese sobre produtos de sucesso: o pioneiro raramente se torna o líder do mercado. Google, Facebook, Apple e outras empresas vencedoras não inventaram seus produtos – já existiam buscadores, redes sociais e computadores antes. Assim como a Coca não inventou o refrigerante e o McDonald’s não foi a primeira lanchonete a vender hambúrgueres. (Cabe a observação: o bitcoin não foi a primeira moeda digital, mas criou os conceitos que agora são usados por todas as outras, por isso é vista como pioneira.)
Como era previsível, várias candidatas já estão no jogo para tentar ser a Apple ou o Facebook dessa teoria. Receberam até um nome na comunidade dos internautas: criptomoedas 2.0 (veja o quadro abaixo). Ainda que nenhuma possa ser declarada vencedora, cada uma expande a seu modo os caminhos para o futuro do dinheiro. “As moedas digitais marcam uma mudança significativa no sistema financeiro, porque são capazes de prover uma cadeia de troca de valores descentralizada”, diz David Furlonger, vice-presidente da consultoria Gartner Group e uma das maiores autoridades em futuro das finanças. “Mas, no momento, nenhuma delas é mais relevante que as outras. O hype em torno do bitcoin é apenas isso: hype.”
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Na última contagem do site coinmarketcap.com existiam cem moedas digitais, com nomes como quark, mastercoin ou devcoin. Juntas, somam por volta de US$ 10 bilhões em circulação. Quase todas são versões modificadas do bitcoin. A maioria também usa a mineração digital. Entre as que se destacam está o litecoin (ou LTC). Sua contribuição: pode ser minerada por computadores comuns, enquanto o bitcoin acabou restrito a donos de supermáquinas – o que pode criar distorções no futuro. Assim, o tempo para uma transação ser confirmada cai de dez minutos (no BTC) para dois e meio (no LTC), em média.
“Essa segunda geração tem moedas lançadas por companhias bem financiadas e com fundadores experientes, inclusive alguns que participaram da história do bitcoin. O dinheiro graúdo chegou à nossa área, permitindo que mais camadas de segurança e inovação sejam adicionadas”, diz Chris Larsen, CEO do Ripple Labs, que cunhou a moeda digital ripple.
O ripple também tem se destacado. Já é a segunda maior em volume circulante (juntas, ela e o BTC formam quase 90% dos US$ 10 bilhões virtuais). Recebeu aportes de investidores badalados do Vale do Silício, como o Google Ventures, o Founder’s Fund e o Andreessen Horowitz. O ripple, na verdade, são duas coisas. É uma moeda baseada em matemática (como o bitcoin), cujo símbolo é XRP. Mas também é um novo protocolo financeiro para a internet. Para entender, vale uma comparação entre dinheiro e e-mails. São os protocolos de e-mail que permitem que um usuário do Hotmail, por exemplo, mande mensagens para um do Gmail, de graça e instantaneamente. O ripple quer fazer isso entre moedas e bancos.
Quem cria uma “carteira ripple” pode mandar, por exemplo, US$ 1 mil para uma sobrinha na Austrália com razoável facilidade – e com taxas na faixa de 0,5%. Mas também pode mandar ouro, milhas aéreas, café e qualquer coisa que tenha um valor acordado. Inclusive bitcoins. “Dá para fazer pelo próprio banco, até sem saber que por trás da operação estará o protocolo”, diz Larsen. “Antes do bitcoin, ninguém achava que era possível fazer transações pela internet sem um operador central. Agora o mundo sabe como fazer isso. Mas estamos apenas na pré-história dessa evolução”, afirma. No momento, o protocolo já opera mais de 50 moedas e existem 65 mil contas criadas – número que, segundo Larsen, cresce 7% por semana.
Assim como o ripple, outra moeda, chamada next (símbolo: NXT), traz uma inovação importante: ela permite que você adicione novas funcionalidades aos protocolos. Por exemplo, criar contratos. Eles podem servir para executar pagamentos de um serviço, ou fazer operações parecidas com um “débito automático”, mas para a transferência de valores. Como são plataformas de código aberto, permitem que qualquer contrato seja criado, dependendo só da habilidade do programador.
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Para mandar dinheiro entre pessoas, protocolos como os do ripple ou do next encontram ordens de compra e venda – como no sistema financeiro – e acham um caminho para mandar o dinheiro. Por exemplo: podem usar ordens de venda de reais e compra de XRPs no Brasil, depois outras de venda de XRPs e compra de dólares na Austrália. “Ele acha o caminho mais ‘barato’ para o usuário, não importa quais moedas serão usadas”, diz Rafael Olaio, fundador da Rippex, a primeira casa de câmbio de ripple do Brasil, prevista para entrar no ar este mês. A ideia de usar moedas digitais para triangular moedas convencionais e permitir o envio de euros ou dólares para outros países, ao que parece, será uma das principais heranças do bitcoin.
Outra moeda virtual que aparece entre as mais usadas é o dogecoin, cujo símbolo é um cachorrinho. Assim como o litecoin, é uma filha direta do bitcoin. Mas avança numa direção crucial: sair da obscuridade. Ela é negociada numa casa de câmbio – chamada Cryptsy – regulada pelo Departamento do Tesouro dos EUA. “No caso do ripple no Brasil, para abrir uma conta vai ser preciso mandar RG, CPF e comprovante de filiação. Quero me preparar para quando a regulamentação chegar”, diz Olaio.
A regulação, a propósito, é um aguardado capítulo do futuro das moedas virtuais. Ainda que não dependam de governos para nascer, os legisladores podem banir ou restringir seu uso num país. “No Brasil, ainda não há discussão regulatória consistente sobre o tema”, diz o advogado Marcelo Godke Veiga, que acompanha a questão. “O Banco Central sequer definiu se essas moedas serão consideradas moedas. Nos EUA, já existe a decisão de um tribunal de que o bitcoin ‘pode ser entendido’ como moeda.”
A aceitação dos bancos será outro momento crítico. “Tenho falado com bancos de diferentes países e eles estão mudando a postura: de ‘avaliando’ para ‘considerando integrar com o sistema’”, afirma Larsen. “Os bancos ainda tentam proteger suas formas tradicionais de mandar e receber dinheiro. Mas terão de se adaptar. No futuro, acredito que eles serão um misto de empresa de tecnologia e de marketing”, diz Furlonger. A Febraban, que representa os bancos no Brasil, não quis falar sobre o tema.
Alheias aos bancos, milhares de pessoas usam os dinheiros formados por zeros e uns. Qual será dominante? Talvez nem seja essa a questão. “A grande contribuição dessas moedas é mostrar o potencial da internet para a troca de valores, ainda que se usem as moedas ‘antigas’. Ninguém deve ser forçado a adotar uma nova moeda, nem acho que isso possa acontecer. A ideia importante é usar a internet para trocar valores”, diz Larsen. “O que a ascensão do bitcoin deixou claro é que as pessoas querem mais flexibilidade para mandar e receber dinheiro”, afirma Furlonger. Mesmo se não for a moeda do futuro, o bitcoin pode ter definido o futuro das moedas.
FONTE EPOCA NEGOCIOS
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